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8.7.10

Fotos inéditas de capoeira (e a cultura brasileira) dos anos 60 e 70

 
Nossa colega Elina, quem tem treinado a capoeira com FICA (nos EUA e em Salvador) um bom tempo e quem hoje em dia está escrevendo o tesis de doutorado sobre a candomblé, mandou este link muito bacana a um acervo de fotos inéditas de capoeira, Mestre Pastinha, candomblé, e outras manifestões culturais do Brasil nos anos 1960 e 1970. Aproveitam!

Caros amigos e colegas,

O muséo etnográfico Helinä Rautavaara em Finlândia acabou de disponibilizar uma parte do arquivo fotográfico dele no portal do Instituto Nacional das Antiquidades da Finlândia.

A coleção consiste em milhares de fotos sobre o candomblé, capoeira e a cultura afro-brasileira e brasileira em geral tiradas por a Helinä Rautavaara nos anos 1960 e 1970 em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.

Por décadas essas fotos se encontraram guardados no acervo do muséo na Finlândia com difícil acesso ao público, então é com grande prazer que agora divulgo o link da coleção online à vocês:

As fotos se encontram aqui.

Infelizmente o site não se encontra em português ainda, mas o sistema de busca é bem simples. Colocando palavras de pesquisa como candomblé ou capoeira, no campo chamado "free text search" no topo da barra ao lado esquerdo, o sistema busca todas as fotos marcadas com essas palavras chaves. Outra opção boa também é buscar só com a primeira parte da palavra terminando ela com um asterisco. Por exemplo: capoe*

Assim o sistema busca todas as fotos marcadas com palavras chaves que começam com capoe. (Em finlândes as palavras se conjugam de várias formas. Por isso muitas vezes a busca funciona melhor desse jeito).

O site continua em construção. Ao longo do tempo o muséo colocará mais fotos e informação.

Espero que aproveitem essa oportunidade de ver essas fotos rarissimas.

Um abraço,
Elina


Muito legal, Elina! Valeu!
 

5.4.10

Lembrando M Pastinha hoje

  
Neste dia no ano 1889, nasceu Vicente Ferreira de Pastinha. Faria 121 anos hoje!

Neste lindo trecho do livro “Capoiera Angola - Ensaio Sócio Etnografico” o escritor, anthropólogo e folclorista Waldeloir Rego escolha uma parte de um livro de Jorge Amado quec fala sobre Mestre Pastinha:

Na bonita e oportuna crônica, "Conversa com Buanga Fêlê, também conhecido como Mário de Andrade, chefe de luta em Angola", Jorge Amado volta a se manifestar sôbre Pastinha, neste passo: - “Vejo-me encostado à janela de um sobrado do Largo do Pelourinho e um homem de idade, maior de setenta anos, com a vista ameaçada, pequeno e ágil como um gato, está a meu lado e conversa comigo. Somos velhos amigos, nem me lembro mais quando nos conhecemos e desde quando acompanho sua gloriosa trajetória.” É um dos mestres da cultura popular baiana, êsse negro de voz macia e rosto alegre que envelhece em sua escola de capoeira de Angola e dança e luta melhor do que qualquer dos jovens de rijos músculos adolescentes. Falo de Mestre Pastinha, um dos maiores capoeiristas que a Bahia já produziu. Acabou de dançar um samba de Angola e se prepara para lutar.

- Aqui – diz-me êle – pratico a verdadeira capoeira de Angola e aqui os homens aprendeem a ser leais e justos. A lei de Angola, que herdeu de meus avós, é a lei da lealdade.

Os berimbaus da corda tocam a música ritual, chamando os lutadores. Mestre Pastinha enche a sala com sua presença, sua agilidade, seu bale alucinante. A Capoeira de Angola, a luta brasileira por excelência.”

Pastinha é realmente uma das grande figures da vida popular da Bahia. De todos os capoeiristas foi um dos que mais viajaram, em exhibições com a sua Escola e um dos poucos atravassar o Atlântico e chegar até o continente africano, como convidado do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, para integrar a delegação brasileira, junto ao Premier Festival International des Arts Nègres, de Dakar, realizado em abril de 1966.


Iê, Viva Pastinha!
  

13.11.09

Lembrando do M Pastinha no dia 13 de novembro

   
Mestre Pastinha faleceu nesse dia (13 de novembro) em 1981 na cidade de Salvador, Bahia. Hoje, vamos lembrar do grande mestre e celebrar tudo que ele fez para a capoeira e a cultura brasileira nas nossas rodas e nossos treinos em todas as esquinas do mundo onde a capoeira tem espalhada.

Aqui, um grande amigo de Mestre Pastinha, o famoso escritor baiano, Jorge Amado, escreve um pouco sobre Pastinha, Mestre Waldemar e Mestre Traira no seu guia touristica escrita em 1944 chamado Bahia de Todos os Santos.
Mestre Vicente Pastinha tem mais de setenta anos. É um mulato pequeno, de assombrosa agilidade, de resistência incomum. Quando êle começa a "brincar", a impressão dos assistentes é que aquêle pobre velho, de carapinha branca, cairá em dois minutos, derrubado pelo jovem adversário ou bem pela falta de fôlego. Mas, ah! ledo e cego engano! nada disso se passa. Os adversários sucedem-se, um jovem, outro jovem, mais outro jovem, discípulos ou colegas de Pastinha, e êle os vence a todos e jamais se cansa, jamais perde o fôlego, nem mesmo quando dança o "samba de Angola".

A Escola de Capoeira Angola, de Mestre Pastinha, fica na ladeira do Pelourinho, no Largo mesmo, num primeiro andar. Às quintas e domingos "brinca-se" na Escola. Mas quintas, em geral, a brincadeira é mais fraca, são os alunos mais novos que se exibem. No domingo vêm os capoeiristas conhecidos e a festa começa pela tarde. Quem fôr a Bahia não deve perder o extraordinário espetáculo que é Mestre Pastinha no meio de seu salão jogando a capoeira, ao som do berimbau. E quando êle não está lutando, não vai descansar. Toma de um berimbau, puxa as cantigas. Para mim, Pastinha é uma das grandes figuras da vida popular da Bahia. É dispensável conhecê-lo, conversar com êle, ouvi-lo contar suas histórias, mas sobretudo, vê-lo na "brincadeira", atingindo adversários vigorosos e jovens, derrotando-os um a um...

... devemos falar da Escola de Waldemar, na Estrada da Liberdade, onde, além do mestre que dá nome à escola, encontra-se Traira, um caboclo seco e de pouco falar, feito de músculos, grande mestre de capoeira. Vê-lo brincar é um verdadeiro prazer estético. Parece um bailarino e só mesmo Pastinha pode competir com ele na beleza de movimentos, na agilidade, na rapidez dos golpes. Quando Traira não se encontra na Escola de Waldemar, está, ali por perto, na Escola de Sete Molas, também na Liberdade. Nessas Escolas pode o visitante adquirir belos berimbaus, ajudando assim o desenvolvimento da nossa luta nacional...

... Mas, ah! que nunca vos aconteça uma briga com um dêsses capoeiristas, porque, por mais que fortes que sejais, eu não apostarei em vós tão certo estou que um minuto depois estareis estirado no chão à disposição da navalha brilhante…

Podeis porém fazer camaradagem com qualquer deles e assistir a uma demonstração. Esses capoeiristas são uma boa gente, mulatos e negros de fácil amizade.

Ie, Viva Pastinha!
        

10.11.09

Olinda, Brasil: roda em homenagem ao M Pastinha

      
Uma nota da Olinda, Pernambuco:

Grupo São Bento Pequeno

Roda de Capoeira Angola
em homenagem ao
Mestre Pastinha

Beco do Bajado
Olinda, Pernambuco

13-11-09
sexta, 19h

Professor Baixinho: 81 9696 7194

website

Divertam-se!                    

7.4.09

Goiás, Brasil: homenagem ao Mestre Pastinha

Uma nota sobre um evento da FICA-Goiás:

Olá amigos(as)!

A FICA-GO está em novo endereço. Para comemorar essa mudança, vamos fazer uma roda em homenagem aos 120 anos de nascimento do Mestre Pastinha, e também para apresentação do nosso novo espaço em Goiânia.

Nossas atividades agora estão acontecendo na Casa das Artes (2° andar), av. anhaguera com rua r-1 setor oeste.

A roda acontecerá no dia 26 de Abril, domingo, com início às 9h. Após a roda teremos uma deliciosa feijoada com samba de roda.

Todos são bem-vindos!

Para mais informações, contate Leninho 9922 0008 ou através desse e-mail.

Até lá!

Treinel Leninho
Coordenador da FICA-GO

Homenagem ao Mestre Pastinha
Em comemoração aos 120 anos de seu nascimento

Dia: domingo, 26 de abril
Horário: a partir das 9h da manha
Local: Casa das Artes, 2o andar – Av. Anhaguera c/ Rua R1 – Setor Oeste – Estação Lago das Rosas

Programação
Apresentação do novo espaço da FICA-GO
Roda de Capoeira Angola
Feijoada com Samba de Roda

Organização:
FICA-GO (Fundaçào Internacional de Capoeira Angola – Goiás)
Contato: 62- 9922-0008 (Leninho), ficagoiania (arroba) yahoo (ponto) com (ponto) br

Agradecemos a Rentao pela informação.

30.3.09

Ladainhas de Mestre Pastinha

Pensando no aniversário de Mestre Pastinha no domingo, dia 5 de abril, apresentamos duas ladainhas escritas por ele, lembrado por Mestre Bola Sete no seu livro A capoeira angola na Bahia.

Menino preste atenção
No que eu vou dizer
O que eu faço brincando
Você não faz nem zangado
Não seja vaidoso e despeitado
Na roda da capoeira
Pastinha já está classificado!

Eu nasci pra capoeira
Capoeirista eu hei de ser
Só deixarei a capoeira
Quando eu morrer!

23.3.09

Salvador, Brasil: bate papo & roda com M João Pequeno

Gente, não perca esta opportunidade de bater um papo com um grande mestre de Capoeira Angola:

Academia Mestre João Pequeno de Pastinha
Centro Esportivo Capoeira Angola

Promove comemoração de aniversário
de
Mestre Pastinha
5 de abril de 2009

Oficina de confecção de caxixi
das 13:30 às 15 hs

Pastinha e seus sucessores
das 15 às 17:30 hs : bate papo
1o: Pastinha e sua ávore genealógica
2o: Os ensinamentos de Pastinha
3o: Pastinha introduzindo o amarelo e preto
4o: Porque os Joãos não usam amarelo e preto
5o: Pastinha e o Balão
6o: Para quem Pastinha deu o pulo de gato

Roda de capoeira da ávore de Pastinha e os convidados
das 17:30 às 19:30
sob o commando de Mestre João Pequeno de Pastinha



local: Forte Santo Antonio, Largo do Santo Antonio Além do Carmo
email: ajppastinha (arroba) hotmail (ponto) com
33230708 / 88331469

18.3.09

Nova Iorque, EUA: comemore M Pastinha com M João Grande

Um evento em Nova Iorque com M João Grande:

Oficina: "120 Years of Mestre Pastinha!"

datas: 4 – 5 de abril
hora: 10 – 17 hs
lugar: Centro de Capoeira Angola de M João Grande - 104 W 14th St. - 3rd Flr - New York, NY
investimento: $25 oficina; $20 roda

Venham celebrar “120 anos de Mestre Pastinha!”, uma oficina com M João Grande na sua academia na cidade de Nova Iorque.

M João Grande comemorá seu mestre, Vicente Ferreira Pastinha. M Pastinha nasceu no dia 5 de abril de 1889, 120 anos atras. Celebramos o espiritu de M Pastinha, que hoje mora dentro de cada um de nós.

M João Grande dará aula de música e movimentos, e sequencias de movimentos dos velhos mestres. Falará sobre M Pastinha e sua importancia na Capoeira Angola. Também mostraá fotos do seu acervo!!! Para fechar o dia de sábado, M João Grande responderá às suas perguntas.

No dia 5 de abril, M João Grande realizará uma grande roda de Capoeira Angola para celebrar “120 anos de M Pastinha!”

Programação:
10 – 12 hs, movimentação
12 – 13 hs, almoço
13 – 15 hs, música (toques, ladainhas & corridos)
15 – 17 hs, sessão de perguntas e respostas com M João Grande

Por favor, tragam seus instrumentos, axé, e vontade de aprender de uma lenda da Capoeira Angola.

Se quiser, podem trazer também frutas, flores, e suco para compartilhar.

Todos estilos e niveis de capoeira são bemvindos!

obrigado!

Saude, energia, paz, e benções,
E axé para quem é de axé,

M João Grande

Agradecemos a T Fabio pela informaçao.

28.1.09

Candangolândia, DF, Brasil: palestra

O Grupo de Estudos da Capoeira Angola
FICA-DF
(Fundação Internacional da Capoeira Angola – Distrito Federal)

Tem o prazer de convidá-l@s ao início do ciclo de palestras e apresentações de videos relacionados à Capoeira Angola, religões de origem afro-descendentes e musicalidade.

Dando início com a palestra: “Mestre Pastinha e a não violência na Capoeira”

Data: 29 de Janeiro de 2009
Horario: 19h e 30 m
LocaL: Instituto Comunidade Praia Verde
Endereço: Rua dos Engenheiros, ao lado do Quartel da Policia Florestal
Candangolândia -DF

30.10.08

Lancamento do CD de Mestre Bigo em São Paulo

Francisco Tomé dos Santos Filho, o Mestre Bigo (Francisco 45), discipulo de Mestre Pastinha lança seu CD em São Paulo no terreiro do Mestre Plínio o Angoleiro Sim Sinhô.

Data: 8 de novembro às 15h
Local: R Turiassú 1172, Perdizes - São Paulo
R$5

Em baixo, um trecho de uma entrevista feita pela revista Praticando Capoeira e postado no website Portal Capoeira- ambas importantes fontes de informação sobre a capoeira.

Francisco Tomé dos Santos Filho, o Mestre Bigo, nasceu em 1946, em Salvador-Bahia. Iniciou na capoeira em meados dos anos 50, após assistir a uma apresentação de capoeira onde viu Mestre Pastinha e Mestre Cobrinha Verde num emaranhado de corpos.

Treinou na Academia de Mestre Pastinha até 1975 (época em que casou-se e veio para São Paulo), convivendo com grandes expoentes da capoeira, como: João Grande, João Pequeno, Natividade, Papo Amarelo, Jonas, Bola Sete, Gildo Alfinete, Genésio Meio Quilo, Roberto Satanás, entre outros.

Após chegar em São Paulo ficou um tempo afastado da capoeira, mas afirma que em momento algum esteve separado dela, pois a capoeira está no seu sangue, correndo em suas veias. Em 1989, Mestre Bigo fundou a Academia de Capoeira Angola Ilê Axé, onde realiza um trabalho até hoje.

P. Capoeira: Como era a Capoeira Angola na época em que você começou a praticar?

Era um pouco diferente. Mestre Pastinha treinava Angola corrida e Angola amarrada. A Angola corrida era perigosa. Nós trocávamos pau com o pessoal da Regional. O regional levantava a perna lá em cima e o angoleiro dava rasteira. O angoleiro não levanta a perna lá em cima, pois sabe que se levantar vai cair.

Antes, para cada jogo era cantada uma ladainha, depois vinha o improviso e depois o corrido. O capoeirista jogava um certo tempo, então parava a roda e começava a cantar outra ladainha. Tomava muito tempo da gente. Hoje em dia têm mais capoeiristas e em virtude disso, tem menos tempo para jogar na roda.

Leam a entrevista completa aqui.

21.7.08

Belo Horizonte, 1964: M Pastinha tá na area!

Achamos em nosso acervo um anúncio que apareceu no journal de Belo Horizonte, Minas Gerais O Diário em setembro de 1964, declarando a chegada de Mestre Pastinha na cidade:
Capoeira Que É Bom Não Cai

Capoeira já chegou

A noite do Folclore Internacional comença amanha. Quem teve a boa idéia foi Dom Serafim. Mestre Pastinha, rei dos capoeiristas da Bahia de Todos os Santos já está na cidade com seu grupo de capoeiras. As apresentações de Mestre Pastinha serão nos dias 19, 20 e 21 do corrente, às 21 horas, no Ginásio do Minas Tênis Clube. E o dinheiro arrecadado vai ser empregado na construção do prédio nôvo da Universidade Católica de Minas Gerais, que está fazendo festa de aniversário êste mês.

1.7.08

"Os bichinhos sou eu!": Mestre Pastinha e Pedro Porreta

Mais uma história do livro de Mestre Bola Sete, A Capoeira Angola na Bahia. Essa relata uma briga entre Mestre Pastinha, o professor de Mestre Bola Sete, e um dos mais famosos valentões da época, Pedro Celestino dos Santos, vulgo Pedro Porreta.
O Mestre Pastinha chegou a defrontar-se com o pergioso capoeirista Pedro Porreta, que marcou época na Bahia pela sua maneira agressiva de proceder e pela inúmeras desordens que praticava, chegando a enfrentar o famoso Chefe do Esquadrão da Cavalaria, Pedro Azevedo Gordilho, mais conhecido como "Pedrito". A partir de então, foi perseguido implacavelmento pelo Esquadrão, que no entanto, não logrou êxito.

Tudo começou quando Pedro Porreta foi morar em um barraco perto das Rua das Laranjeiras, onde o Mestre Pastinha possuía uma quitanda. Houve um desentendimento entre os dois, terminando numa briga violenta, sendo derrotado no fim, depois de muita pernada de ambos lados, pelo Mestre Pastinha, que no entanto, considerou a luta mais dificil que encontrou pela frente. "Bom menino," respondeu-me o Mestre quando perguntei –lhe sobre a capacidade do seu adversário em briga de rua.

O Mestre Pastinha tinha ido a feira buscar bananas, deixou sua mulher tomando conta da quitanda, quando entrou Pedro Porreta, que não sabia que a mesma pertencia ao mestre. Ao entrar pediu meia-duzia de bananas.

- Não temos, o meu marido foi buscar ainda agora, na feira, respondeu-lhe a mulher do mestre.

Pedro Porreta já ia saindo quando avistou quatro bananas em cima do balcão, virou-se e indagou:

- E estas quarto bananas que estão aí, para quem são?

- São para os bichinhos! disse a mulher do mestre apontando para uma gaiola com dois pássaros.

Pedro Porreta avançou, pegou as bananas, e saiu, dizendo:

- Os bichinhos sou eu!

Ao voltar da feira, assim que entrou na quitanda e estava colocando o pesado cesto de bananas no chão, sua mulher foi-he contando o sucedido. Ao terminar o relato, o mestre saiu imediatamentea procura do desconhecido. Ao chegar na rua encontrou um seu amigo, que a tudo assistira, revelando a identidade e o endereço do indivíduo. O mestre agradeçeu e dirigiu-se a casa de Pedro Poretta, encontrando-o na porta.

Pedro Porreta não suspeitando que ele fosse o dono da quitanda, cumprimentou=o amistosamente: "Como vai mestre? O que deseja?" Ao saber que ele era proprietário da mesma e vinha disposto a obter uma explicação pelo que acontecera, abriu a porta, soltou uma gargalhada e apontou as bananas dentro de uma panela cozinhando. O Mestre Pastinha, notando a expressão zombeteira de Pedro Porreta, virou-se para ele e disse: "Pedro, eu vou levar as bananas assim mesmo, só por causa do seu desaforo de invadir minha quitanda sem a minha presença e zombar da minha mulher."

Ao ouvir isto, Pedro Poretta dirigiu-se ao meio da rua e desafiou-o para lutar.

Mestre Pastinha aceitou o desafio e a briga prolongou-se por vários minutos, sem que ninguém tivesse a coragem de apartá-los, só terminando com uma violenta cabeçada do Mestre Pastinha, atirando-o longe, estendido junto ao passeio. Neste momento aproximou-se um senhor, que morava nas proximidades e depois de inteirar-se do motivo da briga, prontificou-se a pagar a despesa, contanto que encerrassem aquele assunto. Mestre Pastinha não aceitou o dinheiro de tal senhor, dizendo-lhe, "Meu amigo, eu agredeço a sua gentileza mas o que motivou a minha briga com Pedro não foi o dinheiro despesa com as quarto bananas e sim a maneira que ele procedeu." Dizendo isto retirou-se para a sua quitanda e Pedro Porreta mudou-se de seu barraco no dia seguinte.

O livro de Mestre Bola Sete tem ainda mais histórias descrevendo as aventuras de Mestre Pastinha. Vale a pena comprá-lo para ler tudo e incluir no arquivo do seu grupo.

No futuro, postaremos mais sobre Pedro Porreta e sua vida na cidade de Salvador, Bahia.

4.6.08

Edison Carneiro: "os moleques de sinhá" na Bahia

Edison Carneiro (1912 - 1972) foi um intelectual e escritor brasileiro quem dedicou sua vida à resgatar da cultura popular brasileira. Fez várias pesquisas sobre vários aspectos da cultura afro-brasileira, inclusive a capoeira e o candomblé. Ele colocou as resultadas das pesquisas em livros os quais ele chamou “cadernos”. Como ele escrevia sobre a cultura negra no Brasil e existia muito prejuzio, era difícil publicar os cadernos. O caderno sobre a capoeira foi publicado dois anos depois da morte dele.

No livro, Cadernos de Folclore – Capoeira, ele apresenta informação básica sobre a capoeira- a historia, os movimentos, o berimbau, e mais. Também ele fala nos capoeiras da época e os lugares onde gostavam de vadiar:
Os pontos preferidos para a vadiação dos capoeira eram a Boa Viagem no Ano Bom, a Ribeira na segunda-feira de Bonfim, o Terreiro no Carnaval, e o Mercado Modelo durante a Festa da Nossa Senhora da Conceição, mas agora os “moleques de sinhá” se exercitam em locas certos, as “academias” de velho Pastinha no Pelourinho, de Waldemar, de Traíra, de Canjiquinha e outros...

... Os grande capoeira da Bahia eram até poucos anos, o pescador Samuel Querido de Deus, e o estivador Maré, ambos da capital, e Siri do Mangue de Santo Amaro. Outros capoeiras conhecidos eram o “capitão” Aberre, Juvenal, Polu, Onça Preta, Barbosa, Zepelin.. Alguns do seus discípulos emigrados para o Rio de Janeiro, estão tentando continuar a vadiação em terras cariocas.
Hoje em dia, há um museu fantástico no Rio de Janeiro dedicado a Edison Carneiro.

4.5.08

Mestre Pastinha no cais da Bahia

Mestre Bola Sete tem escrito vários livros e artigos sobre a capoeira. No seu livro, A Capoeira Angola na Bahia, ele conta histórias de Mestre Pastinha, Besouro Preto, e outros mestres. O livro tem também um catálogo de movimentos e de músicas, muitas escritas por Mestre Pastinha.

Nesse trecho, Mestre Bola Sete se lembra uma histórinha de Mestre Pastinha:
Conheço mutias histórias sobre o Mestre Pastinha. Algumas delas passo a expor:

Antonio Maré, famoso capoeirista do passado e grande amigo do Mestre Pastinha, levou-o certa vez para jogar capoeira no cais da Bahia onde ele era conhecido apenas pelo nome. Lá chegando, abaixou-se ao "pé do berimbau" para vadiar com um dos capoeiristas do local. Começando o jogo, os outros capoeiristas, companheiros que estava jogando com o mestre, gritavam a todo momento: "Vai depenar o pinto, hem fulano?" Mas, para surpresa dos mesmos, o "pinto" sempre levava melhor. Terminando a brincadeira, todos os capoeiristas insistiram junto a Antonio Maré, que era bastante conhecido no local, para que dissesse o nome de seu companehiro. Antonio Maré então revelou: " Este é o famoso Mestre Pastinha." Ao ouvirem tal declaração todos cumprimentaram e elogiaram o mestre e um dos capoeiristas presentes acresentou: "Logo vi, com esse jogo e essa manhã, só poderia ser Pastinha."

O livro é bom, e é super legal ler as histórias dos velhos mestres nas ruas da cidade de Salvador. Achei o livro, A Capoeira Angola na Bahia por Mestre Bola Sete, na bibioteca da FICA-Bahia, mas com certeza pode também comprar de Mestre Bola Sete.

18.12.07

Lendas vivas: a cobra mansa e o gavião





Eu tenho dois irmãos
Todos dois, chama João
Um joga pelo ar
Outro joga pelo chão
Se um é cobra mansa
Sei que o outro é gavião, camaradinho

Mestre Pastinha cantou essa ladainha em homenagem a seus dois alunos, João Oliveira dos Santos e João Pereira dos Santos, conhecidos como João Grande and João Pequeno.

Essas fotos foram tiradas por T Gege durante uma das primeiras conferências nas EUA e vêm do arquivo de fotografia da FICA-DC. Temos algumas mostras de fotos na academia, inclusive essa com Ms João Pequeno e João Grande.

Todo o mundo está bemvindo para visitar nossa academia e ver as mostras. Se tiver fotos que gostaria de contribuir a nosso arquivo, pode as mandar ao blog por email, ou por correio a:

FICA
733 Euclid Street, NW
Washington, DC 20001
USA

** O aniversário de M João Pequeno está chegando! Se tiver algo (fotos ou uma memoria que quer compartilhar) para contribuir a nossa celebração virtual, envie-o a nós.

9.12.07

A história da Academia de João Pequeno de Pastinha


Esta história vem de um artigo escrito em junho desse ano para o jornal o Diário de São Jorge, localizado na cidade de São Jorge, Goiás.

Inaugurada em 1982, após a morte de Mestre Pastinha, a Academia de João Pequeno de Pastinha teve grande influência sobre a recuperação do Centro Histórico de Salvador…

…No início dos anos 1980 a Capoeira Angola era praticada apenas em duas ou três academias na cidade de Salvador. Eram grupos de resistência, que se mantinham realmente comprometidos com a difusão de uma filosofia de vida e não apenas na formação de "grupos folclóricos"…

O processo de renovação dos angoleiros foi muito comprometido nesta época e poucos resistiram às influências dos movimentos de esportização e folclorização da capoeira. Neste contexto, nasceu a Academia de João Pequeno de Pastinha.

Criada para combater essa tendência, a academia transformou-se em um importante elemento de revitalização da Capoeira Angola, resgatando a linha de Pastinha. O próprio mestre legitimou João Pequeno para a condução desse processo. "Eles (se referindo a João Pequeno e João Grande, seus dois contramestres de então) serão os grandes capoeiras do futuro, e para isso trabalhei e lutei com eles e por eles. Serão mestres mesmo, não professores de improviso como existem por aí e que só servem para destruir nossa tradição que é tão bela. A estes rapazes ensinei tudo o que sei, até o pulo do gato. Por isso tenho as maiores esperanças em seu futuro" (Diário de Notícias 3/10/1970)…

Leia o artigo inteiro aqui.

Se vc tiver uma história, uma memoria, uma foto, um artigo, um desenho, ou outra coisa relacionado a M João Pequeno que gostaria de compartilhar com nossa communidade, enviá-lo para nos a ficadcarchives (arroba) gmail (ponto) com, e o postaremos!

1.12.07

Comemorando os 90 anos de Mestre João Pequeno

Em dezembro, Mestre João Pequeno cumprirá 90 anos. Sua academia, a Academia de João Pequeno de Pastinha Centro Esportivo de Capoeira Angola, realizará eventos cada sábado do mês, e um evento no dia do seu aniversário, o dia 27 (pode achar os detalhes em baixo) lá no Forte Santo Antonio. Infelizmente, não todo o mundo tem a sorte de estar na Bahia este mês, e por isso, aqui no blog, dedicamos o mês de dezembro ao Mestre João Pequeno, com vários postos sobre o grande mestre de Capoeira Angola.

Vamos começar com um pouco de história. Esta biografia vem do livro do Mestre, “Mestre João Pequeno, Uma vida de Capoeira”, e estava incluída com o convite para os eventos de dezembro no Forte Santo Antônio.

Noventa anos não é brincadeira, é história...

Em 27 de dezembro 1917 nasceu em Araci no interior da Bahia João Pereira do Santos, filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas. Aos quinze anos (em 1933) fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira.

Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil como servente de pedreiro, pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido que lhe apresentou o mestre Barbosa que era um carregador do largo dois de julho, Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos e nos finais de semana ia nas rodas de Cobrinha Verde no Chame-chame.

Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha.

Desde então, João Pereira passou a acompanhar o mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso foi por media de 1945, algum tempo depois João Pereira tornou-se então João Pequeno.

No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”.

Na academia do Mestre Pastinha, João Pequeno ensinou capoeira a todos os outros grandes capoeiristas que dali se originaram e mais tarde tornaram-se grandes Mestres, entre eles João Grande, que tornou-se seu Grande parceiro de jogo, Morais e Curió.

Foi aconselhado pelo Mestre Pastinha a trabalhar menos e dedicar-se mais a capoeira. Embora pensasse que não passaria dos 50 anos percebeu que viveria bem mais ao completar tal idade.

Tendo que enfrentar a dureza da cidade grande João Pequeno também foi feirante, e carvoeiro chegou a ser conhecido como João do carvão, residiu no Garcia, e num barraco próximo ao Dique do Tororó.

Sua primeira esposa faleceu, mas, um tempo depois conheceu Dona Mãezinha no Pelourinho, nos tempos de ouro da academia de seu Pastinha, constituíram família, e com muito esforço construíram uma casa em fazenda Coutos, Lá no subúrbio, bem longe do Centro onde foram morar e receber visitas de capoeiristas de várias partes do mundo.

Para João Pequeno o capoeirista deve ser uma pessoa educada “uma boa arvore para dar bons frutos”. Para quem a capoeira é muito boa não só para o corpo que se mantém flexível e jovem, mas também para desenvolver a mente e até mesmo servir como terapia, alem de ser usada de várias formas, trabalhada como a terra, pode-se até tirar o alimento dela.

João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, cuja qual ninguém deve machucar o par com quem dança, defende a idéia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário.

Algum tempo após a morte do mestre Pastinha, em 1981, o mestre João Pequeno reabre o Centro Esportivo de Capoeira Angola no Forte Santo Antônio Alem do Carmo(1982), onde constitui a nova base de resistência, onde a capoeira angola despontaria-se para o mundo, embora encontrando várias dificuldades para manutenção de sua academia, conseguiu formar alguns mestres e um vasto numero de discípulos.

Na década de noventa houve várias tentativas por parte do governo do estado em desocupar o forte Santo Antônio para fins de reforma e modificação do uso do forte, paradoxalmente em um período também em que foi amplamente homenageado recebendo o titulo de cidadão da cidade de Salvador pela câmara municipal de vereadores, Doutor Honoris Causa pela universidade de Uberlândia, e Comendador de Cultura da República pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

”É uma doce pessoa” é o que afirmam todos que tem a oportunidade de conhecer o Mestre João Pequeno, cuja simplicidade, a espontaneidade e o carisma seduz a todos que vão até o Forte Santo Antonio conferir suas rodas, é um bricalhão, mas que também não deixa de dar uma baquetada nos que se exaltam e esquecem dos fundamentos da brincadeira e da dança.

A festa anual comemorativa de seu aniversário é um verdadeiro evento espontâneo da capoeira, onde se realiza uma grande roda,com a participação de vários mestres e membros da comunidade capoerana.

Alem de ser de impressionar a todos que tem a oportunidade de vê-lo jogar com a sua excelentíssima capoeira e mandigagem, João Pequeno destaca-se como educador na capoeira, uma autoridade maior na capoeiragem de seu tempo, um referencial de luta e de vida em defesa da nobre arte afrodescendente.

Se vc tiver uma história, uma memoria, uma foto, um artigo, um desenho, ou outra coisa relacionado a M João Pequeno que gostaria de compartilhar com nossa communidade, enviá-lo para nos a ficadcarchives (arroba) gmail (ponto) com, e o postaremos!

13.11.07

Aniversário da morte do Mestre Pastinha

Hoje em todas as partes do mundo - do Brasil até o Japão - terão rodas de branco em lembrança do aniversário da morte do Mestre Pastinha, protetor da Capoeira Angola. Mestre Pastinha morreu nesse dia (13 de novembro) em 1981. Sua memória sempre viverá na história da Capoeira Angola.

Aqui está um trecho de um artigo escrito por Reynivaldo Brito em lembrança de Mestre Pastinha, publicado em A Tarde, o jornal da cidade de Salvador, em 1988:
"...[Mestre Pastinha] tinha uma postura e uma elegância de um principe e muita malícia… 'Angola capoeira-mãe. Mandinga de escravo em ânsia de liberdade; seu princípio não tem método; seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista.' Esta inscrição ele colocou no salão de sua academia e depois levou para seu quartinho na Alfredo Brito, reflete sua própria existência. E, por diversas vezes, ele mesmo declarava toda a “filosofia” da capoeira. 'Capoeira é mandinga, é manha, malícia, é tudo que a boca come. A capoeira tem negative e tem positive, tem também a verdade. Negativa é fazer que vai e não vai. Mas na hora que négo menos espera, o capoeirista entra e ganha. Eu sempre digo que a capoeira nunca acaba no Brasil porque ela é mãe de todas as lutas.'

Iê! Viva Pastinha!

14.10.07

O B-A-BA da música da Capoeira Angola

Uma boa ladainha para iniciantes à Capoeira Angola escrito por Mestre Pastinha:
Eu vou lê o B-A-BA
O B-A-BA do berimbau
A cabaça e o caxixi
E um pedaço de pau
A moeda e o arame, colega velho
Está aí um berimbau
Berimbau é um instrumento
Tocado de uma corda só
Pra tocá São Bento Grande
Toca angola em tom maior
Agora acabei de crê, colega velho
Berimbau é o maior, camará

4.6.07

M Marco Aurelio se lembra de M Pastinha e M Moraes

M Marco Aurelio relatou essa história para a revista "Caxixi", publicada pela FICA-DC em 2002:

Começei na capoeira aos 13 anos e conheci o Mestre Moraes numa roda de capoeira no bairro do Flamengo, RJ na academia do Mestre Índio… Moraes ministrava aulas de capoeira na Casa do Marinheiro no Rio de Janeiro e estranhei muito a forma como este angoleiro jogava pois nunca tinha visto algo parecido, Após algum tempo, comecei a frequenter as aulas do Mestre Moraes já no clube Gurilândia, no bairro Jardim Botânico, RJ. Foi então quando conheci Braga, José Carlos, Neco, e Lumumba que lá treinavam. Em 1975 fomos eu, Braga, Neco, Luís, Peçanha, e outros a Salvador, Bahia, ficando hospedados na casa dos pais de Moraes no bairro da Baixa do Petróleo, Massaranduba. Conhecemos o Mestre Pastinha, já cego e bem idoso. Nesta oportunidade houve um fato interessante: Moraes havia feito uma ladainha em homenagem ao Mestre Pastinha e organizamos uma bateria com berimbaus para que ele a cantasse. Ficou com o berimbau gunga e após o terminó da música, o mestre perguntou:
-Pedrinho (Moraes) você está com a viola?

- Não mestre, respondeu Moraes, é o menino que veio com a gente (eu, Marco Aurelio)

Pastinha pensou um pouco e disse:

- Menino, você não deixa a capoeira, não!

Após esta viagem, e este fato, fui convidado por Moraes para treinar Capoeira Angola, sendo formado Mestre pore le no Clube Copaleme, no bairro Leme, RJ no ano de 1982.