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30.3.09

Ladainhas de Mestre Pastinha

Pensando no aniversário de Mestre Pastinha no domingo, dia 5 de abril, apresentamos duas ladainhas escritas por ele, lembrado por Mestre Bola Sete no seu livro A capoeira angola na Bahia.

Menino preste atenção
No que eu vou dizer
O que eu faço brincando
Você não faz nem zangado
Não seja vaidoso e despeitado
Na roda da capoeira
Pastinha já está classificado!

Eu nasci pra capoeira
Capoeirista eu hei de ser
Só deixarei a capoeira
Quando eu morrer!

30.10.08

Lancamento do CD de Mestre Bigo em São Paulo

Francisco Tomé dos Santos Filho, o Mestre Bigo (Francisco 45), discipulo de Mestre Pastinha lança seu CD em São Paulo no terreiro do Mestre Plínio o Angoleiro Sim Sinhô.

Data: 8 de novembro às 15h
Local: R Turiassú 1172, Perdizes - São Paulo
R$5

Em baixo, um trecho de uma entrevista feita pela revista Praticando Capoeira e postado no website Portal Capoeira- ambas importantes fontes de informação sobre a capoeira.

Francisco Tomé dos Santos Filho, o Mestre Bigo, nasceu em 1946, em Salvador-Bahia. Iniciou na capoeira em meados dos anos 50, após assistir a uma apresentação de capoeira onde viu Mestre Pastinha e Mestre Cobrinha Verde num emaranhado de corpos.

Treinou na Academia de Mestre Pastinha até 1975 (época em que casou-se e veio para São Paulo), convivendo com grandes expoentes da capoeira, como: João Grande, João Pequeno, Natividade, Papo Amarelo, Jonas, Bola Sete, Gildo Alfinete, Genésio Meio Quilo, Roberto Satanás, entre outros.

Após chegar em São Paulo ficou um tempo afastado da capoeira, mas afirma que em momento algum esteve separado dela, pois a capoeira está no seu sangue, correndo em suas veias. Em 1989, Mestre Bigo fundou a Academia de Capoeira Angola Ilê Axé, onde realiza um trabalho até hoje.

P. Capoeira: Como era a Capoeira Angola na época em que você começou a praticar?

Era um pouco diferente. Mestre Pastinha treinava Angola corrida e Angola amarrada. A Angola corrida era perigosa. Nós trocávamos pau com o pessoal da Regional. O regional levantava a perna lá em cima e o angoleiro dava rasteira. O angoleiro não levanta a perna lá em cima, pois sabe que se levantar vai cair.

Antes, para cada jogo era cantada uma ladainha, depois vinha o improviso e depois o corrido. O capoeirista jogava um certo tempo, então parava a roda e começava a cantar outra ladainha. Tomava muito tempo da gente. Hoje em dia têm mais capoeiristas e em virtude disso, tem menos tempo para jogar na roda.

Leam a entrevista completa aqui.

1.7.08

"Os bichinhos sou eu!": Mestre Pastinha e Pedro Porreta

Mais uma história do livro de Mestre Bola Sete, A Capoeira Angola na Bahia. Essa relata uma briga entre Mestre Pastinha, o professor de Mestre Bola Sete, e um dos mais famosos valentões da época, Pedro Celestino dos Santos, vulgo Pedro Porreta.
O Mestre Pastinha chegou a defrontar-se com o pergioso capoeirista Pedro Porreta, que marcou época na Bahia pela sua maneira agressiva de proceder e pela inúmeras desordens que praticava, chegando a enfrentar o famoso Chefe do Esquadrão da Cavalaria, Pedro Azevedo Gordilho, mais conhecido como "Pedrito". A partir de então, foi perseguido implacavelmento pelo Esquadrão, que no entanto, não logrou êxito.

Tudo começou quando Pedro Porreta foi morar em um barraco perto das Rua das Laranjeiras, onde o Mestre Pastinha possuía uma quitanda. Houve um desentendimento entre os dois, terminando numa briga violenta, sendo derrotado no fim, depois de muita pernada de ambos lados, pelo Mestre Pastinha, que no entanto, considerou a luta mais dificil que encontrou pela frente. "Bom menino," respondeu-me o Mestre quando perguntei –lhe sobre a capacidade do seu adversário em briga de rua.

O Mestre Pastinha tinha ido a feira buscar bananas, deixou sua mulher tomando conta da quitanda, quando entrou Pedro Porreta, que não sabia que a mesma pertencia ao mestre. Ao entrar pediu meia-duzia de bananas.

- Não temos, o meu marido foi buscar ainda agora, na feira, respondeu-lhe a mulher do mestre.

Pedro Porreta já ia saindo quando avistou quatro bananas em cima do balcão, virou-se e indagou:

- E estas quarto bananas que estão aí, para quem são?

- São para os bichinhos! disse a mulher do mestre apontando para uma gaiola com dois pássaros.

Pedro Porreta avançou, pegou as bananas, e saiu, dizendo:

- Os bichinhos sou eu!

Ao voltar da feira, assim que entrou na quitanda e estava colocando o pesado cesto de bananas no chão, sua mulher foi-he contando o sucedido. Ao terminar o relato, o mestre saiu imediatamentea procura do desconhecido. Ao chegar na rua encontrou um seu amigo, que a tudo assistira, revelando a identidade e o endereço do indivíduo. O mestre agradeçeu e dirigiu-se a casa de Pedro Poretta, encontrando-o na porta.

Pedro Porreta não suspeitando que ele fosse o dono da quitanda, cumprimentou=o amistosamente: "Como vai mestre? O que deseja?" Ao saber que ele era proprietário da mesma e vinha disposto a obter uma explicação pelo que acontecera, abriu a porta, soltou uma gargalhada e apontou as bananas dentro de uma panela cozinhando. O Mestre Pastinha, notando a expressão zombeteira de Pedro Porreta, virou-se para ele e disse: "Pedro, eu vou levar as bananas assim mesmo, só por causa do seu desaforo de invadir minha quitanda sem a minha presença e zombar da minha mulher."

Ao ouvir isto, Pedro Poretta dirigiu-se ao meio da rua e desafiou-o para lutar.

Mestre Pastinha aceitou o desafio e a briga prolongou-se por vários minutos, sem que ninguém tivesse a coragem de apartá-los, só terminando com uma violenta cabeçada do Mestre Pastinha, atirando-o longe, estendido junto ao passeio. Neste momento aproximou-se um senhor, que morava nas proximidades e depois de inteirar-se do motivo da briga, prontificou-se a pagar a despesa, contanto que encerrassem aquele assunto. Mestre Pastinha não aceitou o dinheiro de tal senhor, dizendo-lhe, "Meu amigo, eu agredeço a sua gentileza mas o que motivou a minha briga com Pedro não foi o dinheiro despesa com as quarto bananas e sim a maneira que ele procedeu." Dizendo isto retirou-se para a sua quitanda e Pedro Porreta mudou-se de seu barraco no dia seguinte.

O livro de Mestre Bola Sete tem ainda mais histórias descrevendo as aventuras de Mestre Pastinha. Vale a pena comprá-lo para ler tudo e incluir no arquivo do seu grupo.

No futuro, postaremos mais sobre Pedro Porreta e sua vida na cidade de Salvador, Bahia.

4.5.08

Mestre Pastinha no cais da Bahia

Mestre Bola Sete tem escrito vários livros e artigos sobre a capoeira. No seu livro, A Capoeira Angola na Bahia, ele conta histórias de Mestre Pastinha, Besouro Preto, e outros mestres. O livro tem também um catálogo de movimentos e de músicas, muitas escritas por Mestre Pastinha.

Nesse trecho, Mestre Bola Sete se lembra uma histórinha de Mestre Pastinha:
Conheço mutias histórias sobre o Mestre Pastinha. Algumas delas passo a expor:

Antonio Maré, famoso capoeirista do passado e grande amigo do Mestre Pastinha, levou-o certa vez para jogar capoeira no cais da Bahia onde ele era conhecido apenas pelo nome. Lá chegando, abaixou-se ao "pé do berimbau" para vadiar com um dos capoeiristas do local. Começando o jogo, os outros capoeiristas, companheiros que estava jogando com o mestre, gritavam a todo momento: "Vai depenar o pinto, hem fulano?" Mas, para surpresa dos mesmos, o "pinto" sempre levava melhor. Terminando a brincadeira, todos os capoeiristas insistiram junto a Antonio Maré, que era bastante conhecido no local, para que dissesse o nome de seu companehiro. Antonio Maré então revelou: " Este é o famoso Mestre Pastinha." Ao ouvirem tal declaração todos cumprimentaram e elogiaram o mestre e um dos capoeiristas presentes acresentou: "Logo vi, com esse jogo e essa manhã, só poderia ser Pastinha."

O livro é bom, e é super legal ler as histórias dos velhos mestres nas ruas da cidade de Salvador. Achei o livro, A Capoeira Angola na Bahia por Mestre Bola Sete, na bibioteca da FICA-Bahia, mas com certeza pode também comprar de Mestre Bola Sete.