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10.7.10

Lembrando M Canjiquinha (e canjiquinha quente!)

   
O que um mestre de capoeira tem a ver com Carmen Miranda?

Leiam este trecho do livro “Capoiera Angola - Ensaio Sócio Etnografico” pelo escritor, anthropólogo e folclorista Waldeloir Rego para saber:
Canjiquinha (Washington Bruno da Silva) nasceu em Salvador a 25 de setembro de 1925. Foi discípulo do famoso capoeirista Raimundo Aberrê, natural de Santo Amaro de Purificação.

A respeito do seu apelido, explica que foi pôsto por seu amigo de nome Dálton Barros, em 1938, devido ao samba-batuque de Roberto Martins, Canjiquniha quente, cantado por Cármen Miranda com o Conjunto Regional de Benedtio Larcerda, gravado pelo Odeon, em 1937… o qual era a única coisa que sabia cantar e o fazia constantemente, por isso seu amigo tomou a iniciativa do apelido.

Canjiquniha é um capoeira jovem e ágil, fazendo com que se destaque é no canto e no toque. Canta como bem poucos e com um repertório vastíssimo, inclusive com uma grande facilidade de improvisor e de todos é quem mais tem contribuído para a adaptação de outros cânticos do folcloreà capoiera. Uma boa parte das cantigas dêste ensaio foram recolhidas de Canjiquinha.

Foi de todos os capoeiristas baianos o mais convidados para exhibições, viagens pelo interior e for a do estado, assim como o que mais atuou no cinema, em longas e curtas metragens… Como mestre de capoeira, trabalhou nos longa-metragens “Os Bandeirantes”, “Barravento”, “O Pagador de Promessas”, “Senhor dos Navegantes”, “Samba”, e inúmeros curta-metragens.

Cuidado com aquelas músicas que não saim da cabeça! Pode conseguir até um novo apelido!
   

23.6.10

A velha guarda de capoeira, segundo Rego

   
O livro “Capoiera Angola - Ensaio Sócio Etnografico” escrito pelo anthropólogo e folclorista Waldeloir Rego e publicado em 1968 é um dos documentos mais importantes que existe hoje sobre a capoeira.

O livro tem muita informação sobre a capoeira, inclusive uma história da capoeira, a origem da palavra “capoeira”, e informações basicas sobre os instrumentos. Além disso, e mais interessante para um aluno de capoeira, é a colecção grande de varias músicas e o capítulo seguinte que fala sobre os capoeiristas famosos da epoca.

Já postamos a parte sobre Mestre João Grande. Aqui temos mais sobre outros capoeiras:
Muito conhecido dos capoeiristas atuais foi Pedro Mineiro… Também deixaram fama, na Bahia, Chico da Barra, Ajé, Chico Cazumbá, Ricardo das Docas, Antônio Maré, Zé Bom Pé, Vitorino Braço Torto, Raimundo Cachoeira, Zacaria Grande, Nôzinho, Bilusca, Piroca Peixoto, Zé do Saco, Samual da Calçada, Sete Mortes, Aberrê, Patu das Pedreiras, Hilário Chapeleiro, Cassiano Balão, Bigode de Sêda, Doze Homens, Tiburcinho de Jaguaripe, Zeca Cidade de Palha, Nô da Emprêsa de Carruagem, Pacífico do Rio Vermelho, Bichiguinha, Chico Me Dá, Edgar Chicharro, Inimigo Sem Tripa, Giote, Neco Canário Pardo, Bôca de Porco, Dendê, Gazolina, Espinho, Dadá e Siri de Mangue.

Pedro Porreta ficou como símbolo da desordem, da valentia. Quando garôto, ouvi muito as pessoas idosas falarem dêsse capoeira e quando a criança era tranquina e gostava de bater nas demais, ao repreendê-lá, perguntava se era Pedro Porreta.

De Chico Três Pedaçoes contou-me o capoeira Canjiquinha (Wasington Bruno da Silva) que era um negrão inimigo de um outro capoeirista chamado Matatu. De certa feita, armou uma emboscada para seu inimigo. Escondeu-se na esquina da rua do Engenho Velho, bem na entrada para quem vai para o solar Boa Vista, hoje asilo São João de Deus e quando Matatu se aproximou distraído, deu-lhe uma facada no peito, mas a faca entrou pela clavícula adentro, partindo-se em três pedaços. Escapou à morte, ficando conhecido por Chico Três Pedaços.

Najé foi outro capoeirista famoso de Coqueiro de Paraguaçu, mas como gostasse muito de ficar na cidade de Najé, ficou conhecido pelo topônimo. Muito ligado ao pessoal de candomblé, de modo que, ao vê-lo, costumava pilheriar com êle cantando: -

Najé
Najé, Najé
Ogun Já orô!

Cantiga chamando atenção para o orô (ritual) de Ogun Já, especial de Ogun cuja caracteristica principal é o sacrifício de cachorro que se lhe faz, sacrifício êsse que e feito raramente e o seu processo e cantigas durante o mesmo diferem dos demais, não cabendo aqui maiores detalhes sôbre o assunto.
Esse livro é muito raro e muito procurado hoje em dia. Se você consiga uma copia, guardê-la como todos seus pedaços. É patrimônio da nossa história!

Como conseguiram a galera do seu grupo os nomes de guerra? Como é que vocês vão ser lembrados quarenta anos daqui?

Postamos mais deste livro sobre a velha guarda da capoeira no futuro!
   

15.1.10

M João Grande: "Quando em pleno jôgo é um grande bailarino"

  
Hoje, 15 de janeiro, é o aniversário do Mestre João Grande, icone internacional de Capoeira Angola e cultura brasileira. Já em 1968, Waldeloir Rego, no livro dele, Ensaio Sócio Etnografico, escreveu sobre João Grande, entre outros capoeiras da época, no capítulo, “Capoeiras Famosos e seu Comportamento na Comunidade Social”.

João Grande (José Oliveira dos Santos) é dentre todos os grandes capoeira jovens o que mais truques de ataque e de defesa conhece, contribuindo para isso a flexibilidade fora do comum de seu corpo, tornando-o o mais ágil de todos os capoeiras da Bahia. Quando em pleno jôgo é um grande bailarino. Canjiquinha, por exemplo, depois de fazer várias referências elogiosas a João Grande, saiu com um tipo de frase muito sua, de que: “Foi Deus quem mandou João Grande jogar capoeira”…


Que sentimento lindo demais, gente!

Feliz niver, Mestre!!

Vai rolar uma festa domingo no espaço do Mestre em Nova Iorque. Se você estiver na area, não perca a oportunidade de comemorar com a galera lá!
    

4.6.08

Edison Carneiro: "os moleques de sinhá" na Bahia

Edison Carneiro (1912 - 1972) foi um intelectual e escritor brasileiro quem dedicou sua vida à resgatar da cultura popular brasileira. Fez várias pesquisas sobre vários aspectos da cultura afro-brasileira, inclusive a capoeira e o candomblé. Ele colocou as resultadas das pesquisas em livros os quais ele chamou “cadernos”. Como ele escrevia sobre a cultura negra no Brasil e existia muito prejuzio, era difícil publicar os cadernos. O caderno sobre a capoeira foi publicado dois anos depois da morte dele.

No livro, Cadernos de Folclore – Capoeira, ele apresenta informação básica sobre a capoeira- a historia, os movimentos, o berimbau, e mais. Também ele fala nos capoeiras da época e os lugares onde gostavam de vadiar:
Os pontos preferidos para a vadiação dos capoeira eram a Boa Viagem no Ano Bom, a Ribeira na segunda-feira de Bonfim, o Terreiro no Carnaval, e o Mercado Modelo durante a Festa da Nossa Senhora da Conceição, mas agora os “moleques de sinhá” se exercitam em locas certos, as “academias” de velho Pastinha no Pelourinho, de Waldemar, de Traíra, de Canjiquinha e outros...

... Os grande capoeira da Bahia eram até poucos anos, o pescador Samuel Querido de Deus, e o estivador Maré, ambos da capital, e Siri do Mangue de Santo Amaro. Outros capoeiras conhecidos eram o “capitão” Aberre, Juvenal, Polu, Onça Preta, Barbosa, Zepelin.. Alguns do seus discípulos emigrados para o Rio de Janeiro, estão tentando continuar a vadiação em terras cariocas.
Hoje em dia, há um museu fantástico no Rio de Janeiro dedicado a Edison Carneiro.

6.10.07

Mestre Lua Rasta e os antigos mestres

Aqui está um trecho de uma entrevista com Mestre Lua Rasta feito pela revista Nossas Referências um projeto do Quilombo Cecília. Na entrevista, M Lua Rasta fala sobre sua juventud, a primeira vez que viu a capoeira, e suas rodas de sexta-feira no Terreiro de Jesus, onde os espiritus dos antigos mestres vêm brincar de vez em quando.

NR: Como foi esse convivo com os mestres, coisa que já vai distante das novas gerações?

ML: Rapaz, essa vida dessa época, quem mantinha mesmo essa resistência, uma resistência até ingénue, eram os velhos mestres. Mas eles eram os nossos espelhos. Valdemar, Mestre Canjiquinha, Mestre Bimba, Mestre Bobó, essas caras eram nossos líderes, eram os caras que, porra, idolatrar não tem nada a ver mas, a gente acreditava neles!!! Canjiquinha era pra mim um herói. Um capoeirista que participou de uma pá de filmes. Você vê um filme como Barravento, O Pagador de Promessas, toda a parte teatral, da pantomime, de cultura, a galera de produção largava na mão dele, ele dava o “tcham” mesmo da manifestação popular para o filme. Foi o cara mais conceituado nessa linha. Mestre Caiçara, outro cara também muito bom, na época que a Bahia tinha muito aquele misticismo. Até isso se perdeu, você acreditar no cara:- Mestre Caiçara de Oxossi, porra, o cara er a de Oxossi, que na época era uma coisa tão forte, entendeu, Oxossi, o cara das matas. Era legal conviver com o Mestre Caiçara, no dia-a-dia, sua maneira de ser. Era um cara totalemente radical, o Mestre Caiçara, totalmente rebelde ã sociedade, ao sistema, ao sistema policial. Tudo isso era muito importante pra gente que hoje tem entre 45 e 60 anos, resistência, sabe?? Resistência política mesmo! Muita gente hoje dia:- Ah, mas os antigos mestres faziam muito jogo do sistema. Não, mas era diferente, hoje a gente é que faz o jogo do sistema, naquela época era o sistema que fazia o jogo deles…
Você pode leer a entrevista inteira aqui.

Se existe uma entrevista com seu mestre ou professor(a) que vc gostaria de divulgar, envie-nos a ficadcarchives(arroba)gmail(ponto)com. Se não exista, faz! Podemos traduzir entre portugues e ingles.