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2.7.10

Heróis da independência da Bahia

   
No dia dois de julho, comemoram a independência da Bahia na cidade de Salvador com um desfile, festas e rodas de capoeira na rua. Neste dia em 1823, as tropas brasileiras conseguiram a seperação definitiva do Brasil do domínio de Portugal.

O jornal baiano, O Correio, publicou uma edição para comemorar o dia, apresentando alguns dos heróis e heroínas das batalhas da independência da Bahia!
Caboclo
Ninguém nos vence: Símbolo do brasileiro, o caboclo leva a bandeira do país e junta todas as culturas que compõem a nação. Tem um pouco de cada etnia, o negro, o branco, e o índio, juntos numa só representação. Foi ele quem liderou e deu força a luta dos baianos para libertar o país: com tiranos não combinam brasileiros corações!

Maria Felipa
Leoa guerreira: Maria Felipa era capoeirista e liderou uma esquadrão de 40 mulheres na Ilha de Itaparica. Uma das principais artilheiras, incendiou, com as amigas, 42 embarcações portuguesas. Temida, dava surra de folha de cansação nos gajos capturados.

Maria Quitéria
Mulher de valor: Vestiu-se de soldado para lutar. Defendeu o Batalhou dos Periquitos na Ilha de Maré, Pituba e Itapuã.No combate da Pituba, foi uma das melhores em campo da batalha: atacou trincheiras e escoltou prisoneiros, sozinha, ao acampamento.

Antonio Rebouças
Líder negro: Antonio Pereira foi abolicionista. Um guerreiro contra o racismo. Sua frase predileta realizou-se na luta: “tudo pardo ou preto pode ser general”. De fato, no commando de batalhões, havia afrodescendentes, sertenejos e até indígenas.

Encourado de Pedrão
Sertão de garra: Pedrão é uma pequena cidade que todo brasileiro deve conhecer para admirar. Foi dali, perto de Feira de Santana, que sairam os guerreiros vestidos em roupas de couros encourados de Pedrão todo ano são representados no desfile.

Corneterio Lopes
Vuvuzela de vitória: Na batalha de Pirajá, sofrendo pressão, os brasileiros foram para cima. No mata-mata, o comandante Barros Falção mandou recuar, mas o corneteiro Luís Lopes tocou avançar e degolar. Deu certo: vencemos!
Outros heróis e heroínas incluidos no homenagem são Joana Angélica, Lord Cochrane, João de Botas e outros.

Parabéns, Bahia!
   

4.2.10

Festa de Iemanjá em Rio Vermelho

 

No dia dois de fevereiro na cidade de Salvador da Bahia, no bairro de Rio Vermelho rolou uma grande e linda festa em homenagem da rainha do mar, Iemanjá. Às 4h da manha, pessoas com suas oferendas de flores, pentes, perfume, espelhos e bonecas começaram de chegar e passar pela Casa de Peso dos pescadores para entregar os presentes, que na tarde, iam ser depositada no mar.

O evento teve tudo: candomblé na praia, blocos afro tocando, cerveja, touristas, e fitas demais, e muito capoeira! Sapoti, que organiza todo domingo a noite uma roda de rua em Rio Vermelho, fez uma roda com a galera lá no meio da festa e Grupo Nzinga na sede dele, fez uma roda com uma energia linda seguido por um samba gostosa e uma feijoada.

Foi um dia massa, em fim!
 

2.2.10

Dois de dois: dia de festa no mar

   
Hoje é dia dois de fevereiro, dia de festa no mar, quando os brasileiros homenageam a rainha do mar, Iemanjá, ofrecendo à ela presentes de flores, sabonetes, pentes, perfumes, espelhos e outras coisas que ela gosta.

Para vocês quem estão longe do mar, uma conta linda sobre Iemanjá para lembrar-se dela, do livro Mitologia dos orixás por Reginaldo Prandi.

Iemanjá salva o Sol de extinguir-se

Orum, o Sol, andava exausto.
Desde a criação do mundo ele não tinha dormido nunca.
Brilhava sobre a Terra dia e noite.
Orum já estava a ponto de exaurir-se, de apagar-se.
Com seu brilho eterno, Orum maltratava a Terra.
Ele queimava a Terra dia após dia.
Já quase tudo estava calcinado
e os humanos já morriam todos.

Os orixás estavam preocupados
e reuniram-se para encontrar uma saída.
Foi Iemanjá quem trouxe a solução.
Ela guardava sob as saias alguns raios de Sol.
Ela projetou sobre a Terra os raios que guardara
e mandou que o Sol fosse descansar,
para depois brilhar de novo.
Os fracos raios de luz formaram um outro astro.

O Sol descansaria para recuperar suas forças
e enquanto isso reinaria Oxu, a Lua.
Sua luz fria refrescaria a Terra
e os seres humanos não pereceriam no calor.
Assim, graças a Iemanjá, o Sol pode dormir.
À noite, as estrelas velam por seu sono,
até que a madrugada traga outro dia.
   

4.12.09

Eparrei!!: hoje tem festa no Pelô

 


Hoje na cidade de Salvador, cetentas de pessoas vão para Pelourinho para comemorar Santa Bárbara, quem é sincretizada com o orixá Iansã em muitos terreiros. Aqui temos algumas fotos da celebração do ano passado.

Lindas!
 

20.11.09

Viva vinte de novembro! Viva Zumbi!

    


Em novembro de 1995, a revista brasileira VEJA marcou 300 anos depois da morte de Zumbi com várias reportagens sobre o líder do quilombo de Palmares e outros assuntos relacionados a ele.

A autora, Vilma Gryzinski, nota que embora que Zumbi hoje em dia seja considerado um herói nacional, sabemos pouco sobre a vida dele...
Ele era baixinho e magricela. Coxo, mancava da perna esquerda, por causa de um mal curado ferimento a bala. Foi coroninha na infância , versado em português e latim, e possivelmente conservou algo da fé católica… Talvez nem sequer tenha sido uma pessoa – mas sim dois ou até três diferentes comandantes negros que… assumiram sucessivamente o título de Zumbi…

Pois é este homem-sombra, quase desconhecido, “pequeno de estatura e magro de corpo”, morto qual fera acuada no dia 20 de novembro de 1695, que resurge 300 anos depois como portentoso combatente da resistência, grande herói do movimento negro, uma figura mitificada, como todos os heróis.

Sabe-se pouco sobre Zumbi, pois sua história só pode ser pinçada indirectamente, através dos documentos escritos por aqueles que o combateram…

Zumbi nasceu em 1655 em Palmares. Foi capturado e entregado ao padre António Melo. Foi batizado e dado o nome Francisco. Aprendeu latim e português. Em 1670, aos quinze anos, fugiu e voltou para Palmares. Em 1678, quando Ganga Zumba, o então líder de Palmares, fez um concordo de paz com o governador de Pernambuco, Zumbi não aceitou as concessões que o líder fez e rebelou. É dito que o governador exigiu a devolução dos escravos fugidos morando em Palmares. Como a autora diz, “Garantir a liberdade própia em troca da escravidão do outro é uma escolha crudelissima.”

Ganga Zumba foi assasinado pelos fieís a Zumbi, e depois de uma guerra entre os quilombos, Zumbi assumiu a liderança de Palmares.

O quilombo de Palmares no momento da sua maior prosperidade e influência era quase o tamanho de Portugal e, tinha entre oito e trinta mil habitantes morando em várias comunidades. A maioria dos moradores eram negros, escravos fugidos e negros nascidos livres dentro de Palmares, mas também moravam índios e alguns brancos foragidos no quilombo. Mais de trinta vezes os coloniais tentaram destruir Palmares, e cada vez, os aquilombados de Palmares resistiram os ataques utilizando táticas guerrilhas.
Os “mocambos dos negros” – a palavra quilombo ainda não existia – cresceram extraordinariamente depois da invasão holandesa [1624-1625 e 1630-1654], transformando-se num desafio intragável para o sistema politico da época… cada govenador de Pernambuco que chegava de Portugal tinha um projeto para acabar com Palmares… [mas] As expedições lançadas pelas autoridades coloniais de Pernambuco [o estado de Alagoas era parte da então capitania de Pernumbuco] costumavam padecer da falta de continuidade. Cada vez que mudava o governador, mudavam-se as táticas e os comandantes. Campanhas isoladas infligiam danos temporários aos palmarinos, que recuavam, espalhavam-se pelo mato e voltavam a se organizer. No confronto final, foi diferente…

… O primeiro assalto da campanha final, desfechado a 23 de janeiro [de 1694], demonstrou a resistência da defesa da cidadela de Zumbi. Os atacantes que conseguiram aproximar-se foram rechaçados tanto a “armas de fogo e flechas disparadas dos baluartes, como a água fervendo e brasas acesas lançadas pela Estacada.”

O quilombo de Palmares não tombou em um dia só. Demorrou vinte-dois dias para as tropas, liderado pelo mestre-de-campo Domingos Jorge Velho, um paulista, derrotá-lo. Zumbi com alguns dos sobreviventes do ataque fugiram para o mato e outros mocumbos.

Mais de um ano depois da queda de Palmares, os caçadores ainda buscavam os fugitivos de Palmares. Em setembro de 1695, capturaram Antonio Soares, um paradeiro de Zumbi. Ninguem sabe as circunstâncias da interrogação (provavalmente foi torturado), mas Soares traiu Zumbi e guiou uma tropa de caçadores ao esconderijo de Zumbi, na Serra Dois Irmãos, onde ele estava com 20 homems sob seu comando.
Zumbi não caiu sem luta. Quando se viu emboscado, “pelejou valorosa ou desesperadamente, matando um homem, ferindo alguns e não querendo render-se nem aos companheiros, foi preciso matá-los”, contou o governador. “Só a um se apanhou vivo.”… Era 20 de novembro de 1695, segundo consta de um apanhado da campanha contra Palmares feito depois por Domingo Jorge Velho.” A força e covil dos negros dos Palmares no Barriga tão afamado está conquistador, seu régulo morto”…
Hoje em dia, o dia 20 de novembro é comemorado como o Dia Nacional da Consciência Negra no Brasil em lembrança da morte de Zumbi, a maior figura de resistência contra a escravidão brasileira.

O artigo é muito interessante e cheio de informações (16 páginas) sobre Zumbi, Ganga Zumbi, o povo de Palmares, a história de Palmares e outros quilombos, o Brasil colonial, os bandeirantes que foram chamados para destruir Palmares, e o ataque final que derrubou Palmares.

Pode encontrar o artigo e aprender mais sobre Zumbi e o quilombo de Palmares no nosso acervo.
 

28.1.09

Comendo sarapatel com o Querido de Deus

Em 1944, o famoso escritor baiano Jorge Amado escreveu um guia turistico sobre a cidade de Salvador da Bahia de Todos os Santos. No guia, ele escreveu sobre as ruas, os bairros, os mistérios, e as personagens da cidade maravilhosa que Amado adorava. O guia foi publicado em 1945.

No capitúlo sobre as "Personagens" da cidade, Jorge Amado escreveu sobre varios capoeiristas, inclusive Samuel Querido de Deus, um capoeirista que também tem um papel em vários livros do autor, inclusive "Capitães de Areia".

O Capoeirista

Já começaram os fios de cabelo branco na carapinha de Samuel Querido de Deus. Sua cor é indefinida. Mulato, com certeza. Mas mulato claro ou mulato escuro, bronzeado pelo sangue indígena ou com traços de italiano no rosto anguloso? Quem sabe?

Os ventos do mar nas pescarias deram ao rosto do Querido de Deus essa cor que não é igual a nenhuma côr conhecida, nova para todos os pintores. Êle parte com seu barco para os mares do sul do Estado onde é farto de peixe. Quantos anos terá? É impossível saber nesse cais da Bahia, pois há muitos anos que o saveiro de Samuel atravessa o quebra-mar para voltar, dias depois, com peixe para a banca do Mercado Modelo. Mas os velhos canoeiros poderão informar que mais de sessenta invernos já passaram desde que Samuel nasceu. Pois sua cabeça já não tem fios brancos na carapinha que parece eternamente molhada de água do mar? Mais de sessenta anos. Com certeza.

Porém, ainda assim, não há melhor jogador de capoeira, pelas festas de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na primeira semana de Dezembro, que o Querido de Deus. Que venha Juvenal, jovem de vinte anos, que venha o mais célebre de todos, o mais ousado, o mais ágil, o mais técnico, que venha qualquer um, e Samuel, o Querido de Deus, mostra ainda é o rei da capoeira de Bahia de Todos os Santos. Os demais são seus discípulos e ainda olham espantados quando êle se atira no rabo-de-arraia porque elegância assim nunca se viu. E já carapinha tem cabelos brancos…

Existem muitas histórias a respeito de Samuel Querido de Deus. Muitas histórias que são contadas no Mercado e no cais. Americanos do norte já vieram para vê-lo lutar. E pagarm muito caro por uma exibição do velho lutador.

Certa vez seu amigo foi procurá-lo. Dois cinematografistas queriam filmar uma luta de capoeira. Samuel chegara de pescaria, dez dias no mar e trazia ainda nos olhos um resto de azul e no rosto um resto de vento sul.

Prontificou-se. Fomos em busca de Juvenal. E, com as máquinas de som e de filmagem, dirigimo-nos todos para a Feira de Água dos Meninos. A luta começou e foi soberba. Os cinematografistas rodavam suas maquinas. Quando tudo terminou, Juvenal estendido na areia, Samuel sorrindo, o mais velho dos operadores perguntou quanto era. Samuel dissa uma soma absurda na sua língua atrapalhada. Fôra quanto os americanos haviam pago para ver vê-lo lutar. O escritor explicou então que aqueles eram cinematografistas brasileiros, gente pobre. Samuel Querido abriu os dentes num sorriso compreensivo. Disse que não era nada e convidou todo mundo para comer sarapatel no botequim em frente.

Podeis vê-lo de quando em quando no cais. De volta de uma pescaria com seu saveiro. Mas com certeza o vereis na festa da Conceição da Feira derrotando os capoeiristas, pois êle é o maior de todos. Seu nome é Samuel Querido de Deus.

Histórias como esta são maravilhosas, e é muito importante para a gente lembrar-se e passar essas histórias da velha guarda da capoeira para as novas gerações, especialmente hoje em dia que a capoeira está se espalhando pelo mundo inteiro rapidamente e não todos os grupos tem um mestre para orientar-se.

Você tem uma história para compartilhar com a comunidade? Pode mandar para nos, e a postaremos.

19.8.08

Crie seu próprio arquivo: Mandinga, manha & malícia

Torpedeira Piauí
Coraçada na Bahia
Marinheiro absoluto
Chegou pintando arrelia
Quando vê cobra assanhada
Não mete o pé na rodia
Que a cobra assanhada morde
Se eu fosse a cobra eu mordia
Mataram Pedro Mineiro
Dentro da Secretaria

O livro Mandinga, Manha & Malícia, uma história sobre os capoeiras na capital da Bahia (1910-1925) escrito por Adriana Alberta Dias, também conhecida como Pimentinha nas rodas de Salvador, é um ótimo livro, muito bem escrito e muito informativo.

Pimentinha analisa as vidas dos capoeiras em Salvador durante este período. Ela, utilizando documentos oficias, artigos da imprensa, e entrevistas com velhos capoeiristas, mostra como os capoeiristas usavam a mandinga e a malícia não só nas rodas de capoeira mas também no seu dia-dia para sobreviver e, e as vezes ainda mais importante, para ganhar fama nas ruas. Ela reflete como isso influenciava a prática da capoeira, dos movimentos às músicas e cantigas. A ladainha em cima abre o capítulo sobre o famoso Pedro Mineiro. Aqui, um trecho do capítulo:

… Não era natural do estado da Bahia, havia nascido em torno do ano de 1887 na cidade de Ouro Preto, estado de Minas Gerais, por isso ficou conhecida pela alcunha de Pedro Mineiro. Aos seus vinte e poucos anos já se encontrava em Salvador, sabia ler, escrever, foi morador da freguesia do Pilar, e trabalhou como carregador e marítimo. Era muito conhecido pelos agents da ordem em virtude do seu comportamento valentão e das façanhas praticadas nas ruas de Salvador. Seu nome aparecia com freqüencia na coluna policial da imprensa baiana, sendo chamado de gatuno, capadócio, criminoso, facínora e célebre desordeiro. O principal palco de suas desordens era o Cais Dourado, mas também frequentava o “27 do Tabuão” e o “botequim do Galinho”. Costumava arrumar desavenças com todo tipo de gente, outros capoeira, mulheres, desordeiros, indivíduos comuns, marinheiros e, principalmente, policiais.
Uma das aventuras de Pedro Mineiro inspirou esta ladainha. No que foi chamado "o crime do Saldanha", porque aconteceu na Rua do Saldanha, Pedro Mineiro e alguns amigos capoeiras desafiaram um grupo de marinheiros:
No dia 26 de dezembro um outro conflito a bala explodiu entre capoeiras e um grupo de marinheiros do torpedeiro Piauhy, chegado do Rio de Janeiro há três meses. O palco da desordem foi o “botequim do Galinho”, onde os marinheiros jantavam, quando foram atacdos pelos capoeiras Pedro Mineiro e Sebastião de Souza, e por um individuo chamado Antônio José Freire, também conhecido por Branco.

O tireteio durou cerca de quinze minutos, provocando grande alvoroço e muita correria. Todos os botequins, lojas, armazéns e residências da região fecharam portas e janelas. Na luta, dois mariinheiros foram mortos…

Os demais marinheiros, feridos, conseguiram escaper e voltar ao navio. Pedro Mineiro, Sebastião e Branco tentaram fugir pelas ruas da Sé, mas foram presos por guardas civis e pessoas do povo, conduzidos aoposto policial mais próximo, e de lá transferidos para a Secretaria de Segurança Pública.
Como Pimentinha explica, ninguem sabe direito a causa da briga entre os marinheiros do Piauhy e os capoeira, se fosse por causa de uma mulher, ou se um sargento tivesse mandado os capoeiras atacar os marinheiros para vingar uma refrega que tinha acontecido alguns dias antes. De qualquer forma, dois dias depois da briga, houve um inquérito na Secretaria. Enquanto os capoeiristas respondiam as perguntas:
… um dos marinheiros do Piauhy, sentindo-se insultado, atirou contra Pedro Mineiro dentro da chefatura de polícia, diante das próprias autoridades. Assim, de acusado, Pedro Mineiro passou também a ser vítima, pois ficou gravemente ferido, atingido no ombro, na perna, e ma região lombar.

Esse ataque provocou, evidamente, uma enorme confusão, com mais de vinte praças de poliícia, marinheiros, oficiais de justiçia e o delegado atropelando-se na correria, fato que permitiu a fuga de Branco e Sebastião… [Sebastião foi] perseguido por um marinheiro até a Rua de Faísca, onde recebeu uma facada tão profundo nas suas costas que chegou a ter os seus rina atingidos.
Parece que Branco consegiu fugir. Os marinheiros foram castigado pelo capitão do Piauhy e os capoeiras foram levados ao hospital, onde ficaram sob a guarda da polícia.

O crime e a condição de Pedro Mineiro foram “manchetes de primeira pagina” na imprensa baiana. Enquanto isso, o capitão do Piauhy e o chefe de polícia trocaram correspondência se acusando de incompetência. Depois de uma tentativa de suicidar-se, que também saiu nos jornais, Pedro Mineiro morreu no dia 15 de Janeiro:
… Pedro José Viera veio a falecer no Hospital Santa Isabel, em virtude da impossibilidade de extração da bala de um dos tiros recebidos … Tinha 27 anos de idade, e foi enterrado no cemitério da Quinta dos Lázaros.
Como já falei, o livro é muito bom, tem muitas histórias interessantes e muitos fatos importantes. Vale a pena adicionar a sua biblioteca.

25.7.08

Capoeira é patrimônio cultural

É algo que os capoeiristas têm sabido faz séculos, e agora o governo brasileiro concorda.

Em 15 de julho de 2008, a capoeira foi registrado como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Salão dos Espelhos do Palácio Rio Branco. Fora do palácio, rolaram várias rodas de Capoeira Angola e Capoeira Regional em celebração.

Clique no link embaixo para ler o artigo que foi publicado na revista História sobre esse dia importante, e para assistir algums videos da roda da FICA-Bahia e Grupo Nzinga e entrevistas com alguns mestres, inclusive Mestre Janja e Mestre Russo. Aqui, um trecho do artigo:
Mestres para todos os lados. Cada um é uma celebridade, não instantânea, mas construída ao longo de décadas de vivência e dedicação.

Popularmente consagrados pela sua sabedoria - expressa em movimento, música, palavras ou num simples olhar -, os mestres de capoeira agora têm sua missão cultural no mundo oficialmente reconhecida pelo governo brasileiro.

A data histórica é 15 de julho de 2008. Nesse dia, reunidos no Palácio Rio Branco, em Salvador, num ritual bem mais formal que suas irreverentes rodas, dezenas de mestres do Brasil inteiro testemunham a capoeira ser registrada patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O registro foi votado pelos membros do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan, na presença do ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, do governador da Bahia, Jacques Wagner e do presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, entre outras autoridades.

Do lado de fora, na Praça Tomé de Sousa, na Cidade Alta, rodas para todos os lados. Entre o zum-zum-zum e o isquidim-dom-dom, centenas de capoeiristas confraternizam num clima de paz e respeito mútuo. A velha guarda mostra que juventude é um estado de espírito, enquanto a nova geração já exerce a malandragem.

Leia o artigo inteiro aqui.

Agradeçemos a T Gege pelo link.

4.6.08

Edison Carneiro: "os moleques de sinhá" na Bahia

Edison Carneiro (1912 - 1972) foi um intelectual e escritor brasileiro quem dedicou sua vida à resgatar da cultura popular brasileira. Fez várias pesquisas sobre vários aspectos da cultura afro-brasileira, inclusive a capoeira e o candomblé. Ele colocou as resultadas das pesquisas em livros os quais ele chamou “cadernos”. Como ele escrevia sobre a cultura negra no Brasil e existia muito prejuzio, era difícil publicar os cadernos. O caderno sobre a capoeira foi publicado dois anos depois da morte dele.

No livro, Cadernos de Folclore – Capoeira, ele apresenta informação básica sobre a capoeira- a historia, os movimentos, o berimbau, e mais. Também ele fala nos capoeiras da época e os lugares onde gostavam de vadiar:
Os pontos preferidos para a vadiação dos capoeira eram a Boa Viagem no Ano Bom, a Ribeira na segunda-feira de Bonfim, o Terreiro no Carnaval, e o Mercado Modelo durante a Festa da Nossa Senhora da Conceição, mas agora os “moleques de sinhá” se exercitam em locas certos, as “academias” de velho Pastinha no Pelourinho, de Waldemar, de Traíra, de Canjiquinha e outros...

... Os grande capoeira da Bahia eram até poucos anos, o pescador Samuel Querido de Deus, e o estivador Maré, ambos da capital, e Siri do Mangue de Santo Amaro. Outros capoeiras conhecidos eram o “capitão” Aberre, Juvenal, Polu, Onça Preta, Barbosa, Zepelin.. Alguns do seus discípulos emigrados para o Rio de Janeiro, estão tentando continuar a vadiação em terras cariocas.
Hoje em dia, há um museu fantástico no Rio de Janeiro dedicado a Edison Carneiro.

26.5.08

Mãe Menininha do Gantois

Assim como Besouro Preto e Princesa Isabel, Mãe Menininha é outra personagem da cultura popular brasileira que aparece em várias músicas da Capoeira Angola. A presença dela também mostra mais uma prova das conexções entre a capoeira e o candomblé em que Mestre Poloca descreveu no artigo.

Em fevereiro de 2008, a revista da cultura popular da Bahia, viver Bahia!, publicou um artigo sobre Mãe Menininha. Aqui apresentamos um trecho do artigo, “A Oxum mais linda tá no Gantois”:
Dona de uma personalidade incomparável, admirada pela sabedoria, gentileza, comhecimento, humildade e pulso firme, Mãe Menininha exerceu durante 64 anos o mais alto nível da hierarquia do Candomblé, o de Ialorixá ou Mãe-de-Santo, misto de liderança religiosa, chefia, política e poder terapêutico no Terreiro do Gantois… Com grandes poderes espirituais e raríssimo charisma pessoal, Mãe Meniniha foi a grande responsável pela difusão e popularização do Candomblé na Bahia.

Com suas sais de renda imaculadas, azuis-turquesa, amarelo-ouro, óculos de ponderosas lentas, era uma mulher eloqüente, procurada por governantes, personalidades, ilustres, pelo povo e incredulous, por antropólogos e sociólogos, que nela buscavam uma preciosa fonte de informações para redigir suas teses e estudos acadêmicos. Foi amiga e conselheira spiritual de artistas como Pierre Verger, Carybé, Gal Costa, e Mãe-de-Santo de Caetano Veloso e Gilberto Gil...

... Filha de Oxum, divinidade relacionada às águas doces e ao amor, a líder religiousa tinha várias caracteristicas de sua orixá.

… Neta de escravos vindos de Nigéria, recebeu o nome de Maria Escolástica da Conceição Nazareth ao nascer em 10 de fevereiro de 1894 no barrio Saldanha, em Salvador. Veio de uma família devota ao Candomblé. Sua avó, Maria Júlia da Conceição Nazareth, fundou em meados do século 19 o Ilê Iya Omin Axé Iyamassê. O Terreiro do Gantois, que depois foi liderado por sua mãe…

... Na época em que Mãe Menininha se tornou Ialorixá, os tempos não eram fáceis para os adeptos do Candomblé. Além do preconceito, os filhos e mães-de-santo sofriam muitas perseguições e violência. “Não havia liberdade de culto. As casa eram perseguidas e invadidas pela polícia. Eles entravam a cavalo, e, munidos de sabers, furavam os couros dos atabaques e quebravam tudo o que encontravam pelo caminho,” conta a filha sanguinea e atual Mãe-de-Santo do Gantois, Carmen Oliveira da Silva.

Mãe Menininha morreu em 13 de agosto de 1986 aos 92 anos de causas naturais.

O artigo tem muito mais sobre Mãe Menininha, o terreiro do Gantois e seus iniciantes. O artigo está disponível para vocês ler na bibilioteca da FICA-Bahia.

21.5.08

"Quem não pode com Besouro..."

      
Uma personagem que aparece muito na músicas da capoeira, e ainda mais nas lendas mais fantásticas da capoeira é o famoso e misterioso Besouro Preto de Mangangá. Nascido na cidade de Santo Amaro de Purificação em 1885, Manoel Henrique Pereira se mitificou como um dos maiores capoeiras, o Besouro Preto de Mangangá, ou Besouro Cordão de Ouro, ainda que morresse com menos de trinta anos de idade.

No livro “Bimba, Pastinha e Besouro de Mangangá, três personagens da Capoeira Baiana”, o autor, Antonio Liberac Cardoso Simões Pires descreve as mudanças na prática da capoeira (especialmente a mudança da capoeira da rua à academia) no começo do século XX pelas vidas de Mestre Bimba, Mestre Pastinha, e Besouo Preto.

O autor também descreve as pesquisas que fez para conseguir informações, especialmente sobre a figura de Besouro Preto. Em alguns momentos, ele até duvidou a existência de um homem tão legendario que fugiu da polícia vooando e não podia ser ferido por causa do seu corpo fechado. O autor então pesquisou nos registros dos cais de diversas cidades da Bahia e nos documentos oficiais da polícia. Também entrevistou várias cidadões da cidade de Santo Amaro para acertar a história dessa figura tão misteriosa. A maioria da informação no livro sobre a vida de Besouro Preto vem de um colega dele conhecido como Noca de Jacó. Aqui, apresentamos um trecho sobre os dois:

Noca de Jacó tornou-se o principal informante sobre a vida e obra de Besouro de Mangangá, pis ele guardou casos na memória, acompanhou de perto a vida do mestre, nos momentos mais calmos, mais íntimos, quando estava a trabalho na lancha “Deus me Guie”, nas galinhadas e nas rodas da capoeira, enfim, em seus momentos de paz e guerra. Daí não foi à toa que Noca de Jacó ficou conhecido na cidade como o mais antigo capoeira, ainda vivo na época da realizaçào das pesquisas. Segundo ele, Besouro teria sido uma pessoa que não gostava de arraças, nem covardia, era um homem bom, mas valentão. Quando estava em Santo Amaro, Besouro ficou mais em seu reduto, no Trapiche. Às vezes, viajava de saveiro. Tinha que lever as mercadorias, atrevessando a Bahia de Todos os Santos. Besouro desafiava quem tinha nome, quem poderia aumentar-lhe a fama, como o costume de todo o valentão e, às vezes, também tinha que se desfrontar com a polícia que também possuia, entre seus quadros, valentões. E foi o que occureu na época em que Besouro ainda trabalhava na lancha:

“Acontecido se deu no Largo da Cruz. O soldado desafiou Besouro (Besouro respondeu) volta, volta que eu não quero te fazer nada. Besouro pegou o révolver da cavalaria.”

… Besouro correu pelo Beco do Xaréu, atravessou a ponte. [O soldado] José Costa, que corria muito, consegiu aproximar-se de Besouro, mas foi atingido pelos disparos de révolver de Besouro. A valentia de Besouro é lembrada por todos. Nesse caso, ele acertou dois tiros no braço do policial. O fato de ele ter enfrentado a polícia o tornou um herói, um mestre para os meninos do Trapiche de Baixo, onde jogavam capoeira descalços e de roupas comuns. Sua fama acabou virando lenda. A população foi produzindo histórias sobre ele em que os casos e coisas impossíveis, misturavam-se com o possível… Contaram-me certa vez que ele tinha poderes de desaparecer, transformer-se em besouro e voar fugindo de seus inimigos. Alías, suas fugas fantásticas da perseguição policial são um traço marcante em todas as aventuras guardadas na memória popular…

O livro é muito bom, e é descreve muito bem a relação de capoeira com a rua, a violência, e a polícia no começo do secúlo XX.

Pode achar esse livro na biblioteca do Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia ou, em muitas das livrarias perto do Centro da cidade de Salvador.
      

13.5.08

Hoje, cento e vinte anos atrás...

Cento e vinte atrás nesse dia, a escravidão no Brasil foi abolido por decreto assinado pela Princessa Isabel. Desde esse dia, grupos diferentes tem lutado por definer o significado e a importância do dia na historía do país. O ano passado, falamos sobre a história da lei. Esse ano, presentamos um trecho de um artigo, “Realez portuguesa e escravidão negra” esrito por João José Reis, professor titular de História da Universidade Federal da Bahia e autor de Rebelião escrava no Brasil: a história levante dos males em 1835. O artigo foi publicado em março de 2008 no jornal, Ìrohìn e fala sobre a luta por definer esse dia no Brasil:
… No dia 13 de maio de 2008, terão passados cento e vinte anos desde que a princesa Isabel assinou decreto abolindo a escravidão no Brasil, o ultimo país Americano a cuidar disso. A Abolição não foi um negócio resolvido apenas entre o parlamento e o palácio real. Os escravos contribuíram, em lutes individuais e coletivas, para o declínio e queda do império escravista. As fugas em massa que eles empreenderam nas vésperas da Abolição definiram o desfecho final. E quando os escravos souberam de sua vitória comemorarem, junto com a população negra já livre e com simpatizantes da causa. Comemorarem com tal énfase que autoridades e ex-senhores se assustaram, pensando que à Abolição poderia seguir uma revolução…

… Em palestra recente [Walter Fraga Filho] falou das suas novas pesquisas, que trata, entre outros assuntos, da memória da escravidão e das celebrações do 13 de maio nos anos que se seguiram à emancipação. Ele observou que a comunidade negra se empenhava em renovar a cada ano os festejos e aproveitava a ocasião para reivindicar o que não lhe for a concedido quando os escravos se tornaram livres. Mostrou que essas comemorações foram pouco a pouco se esvaziando e explica que a razão era justamente que os poderes constituídos e a clase dominante branca buscavam desta forma esvaziar aquelas reivindicações.

O leitor ainda deve se lembrar de que, por ocasição do Centenário da Abolição, vinte anos atrás governo e mídia tentaram fazer da efeméride um momento de ufanismo nacional. Foram os movimentos negros que deram um basta ao tom celebrativo e exigiram políticas públicas que favorecessem os negros…

… Pois bem, aqui estamos diante dos centos e vinte anos da Abolição e o silêncio “abre as asas sobre nós”.. é preciso fazer barulho, é preciso não deixar que essa data passé em branco porque ela é boa para pensar na desigualdade racial, no racismo em nosso país e nas medidas que devem ser tomadas pelos poderes públicos para extripar, como diziam os abolicionistas, este “cancro” de nosso meio.

Como você pensa que o 13 de maio será lembrado no Brasil cento e vinte anos no futuro?

O artigo inteiro está disponível para ler no acervos da FICA-DC.

30.4.08

Ligações culturais: a capoeira angola e o candomblé

Este trecho (em baixo) vem de um artigo escrito por Mestre Poloca, chamado “Capoeira Angola e Candomblé”, que foi publicado na quarta edição da revista Toques D’Angola (revista criada pelo Grupo N’Zinga). O artigo fala em várias ligações entre a Capoeira Angola e a religão afro-brasileira, usando como exemplo a história da morte de famoso Besouro Preto. Ele reflete nas histórias paralellas de perseguição das duas manifestações culturais pelo governo brasileiro. Ele também faz uma comparação da ritual dentro do jogo da capoeira (até a música) com as rituais do candomblé:

O sincretismo é muito grande na capoeira, sendo comum ouvir referências aos orixas, nkisis, caboclos, e santos católicos em seu repertório musical…

Os três berimbaus da capoeira são saudados e reverenciados pelos mestres, contramestres, e discípulos exatamente como os três atabaques do candomblé o são pelos Taata Dya Nkisi*, Makotas**, Mwaana Nkisi, e fiéis. Ao seu modo, cada um possui função litúrgica que expressa as mensagens que extrapolam a dimensão consciente do existir, fazendo a ligação entre o sagrado e o real. Na parte do canto destinada aos corridos da capoeira, tem-se os cânticos de entrada, os de desenvolvimento e os de saída. O que corresponderia no candomblé aos cânticos para o santo “descer” e para “subir”. O pé do berimbau é um espaço onde se sacraliza o gesto. É na roda que a dimensão sagrada se expressa de maneira mais notável no repertório corporal do capoeirista. Na Capoeira Angola dançar, jogar, brincar, e lutar se traduzem como possibilidades de se estabelecer comunicação com um plano mais subjetivo, mais abstrato. Essa dimensão sagrada torna o processo ensino-apredizagem longo e demorado. Na cultura Africana, o corpo e o espirito não são vistos como entidades separadas. No candomblé, por exemplo, a entidade espiritual necesita de um “corpo” (matéria) para se expressar. Na Capoeira Angola é o corpo que necesita de um ngunzo para atingir a sua melhor forma de expressão.

Antes do jogo iniciar-se, os capoeiristas através de seus gestuais, invocam proteção sagrada (sinal da cruz, o cinco Salamão, e outros). A roda é o espaço do ritual e o corpo é o santuário do segredo. Aí está presente a dinâmica da comunicação, da restribuição do ngunzo, da existência e do vigor das regras do jogo cósmico contido na capoeira. O segredo não deve ser privilégio do mestre, mas os discípulos têm que merecê-lo…

… Por fim, como no candomblé, na capoeira o aprendizado nunca termina. Segundo a Makota Valdina Pinto, “só se poder ser realmente grande quando se sabe ser pequeno”.

* pai de santo
** mãe pequena de um terreiro

Este artigo inclue também um glossário de termos usados em candomblé, e as vezes nas músicas cantadas nas rodas da capoeira. A revista inteira é super interessante, e sempre ofrece uma iluminação em vários aspetos da Capoeira Angola. Pode achá-la na biblioteca do Grupo N’Zinga.

Muito obrigada, Mestre Poloca!

5.2.08

Edição carnavalesca: a tradição de maracatu


O maracatu é uma rica e energética manifestação cultural que vem do nordeste do Brasil. Tal como a capoeira, o maracatu tem profundas conexões á cultura africana no Brasil, foi preservado pelo povo pobre brasileiro, e experiementou um crescimento de popularidade no Brasil e pelo mundo nas últimas decadas.

Existem dois tipos de maratatu: maracatu nação também conhecido por maracatu de baque virado, e maracatu rural também conhecido por maracatu de baque solto, maracatu de orquestra, ou maracatu de trombone.

Os ritos de maracatu nação têm origem na tradição das coroações dos Reis do Congo nos tempos colonias em Pernambuco. Nas coroações dos Reis do Congo, escravos africanos elegiram reis que lideravam a comunidade negra. Os senhores portugueses aprovavam os reis para disciplinar e controllar os negros, mas os negros usavam os ritos asociados com o rei e a rainha para ocultar as tradições das sua religões nativas, cujas os senhores queriam oprimir ou destruir. Hoje, os praticantes de maracatu ainda praticam ritos segredos asociados com a religão afro-brasileira.



Um conjunto maracatu nação consiste de um cortejo real, com alguns 80 -100 dançarinos, um cantor, um coro, uma bateria, um rei, uma rainha, e outras figuras do corte, inclusive as damas de paço que carregam a calunga, uma boneca sagrada (Aprenda mais sobre o cortejo aquí: http://www.edsonsouza.com.br/maracatu/). Maracatu é uma importante parte do carnaval pernambucano. Na noite do domingo de Carnaval em Recife, todos os maracatus nações desfilam enfrente dos juizes para ser escolhido como o melhor maracatu de Carnaval.

Sobreviveram poucos maracatus nações do século XIX até hoje, a maioria se formaram nas últimas decadas quando a popularidade de maracatu cresceu.

O maracatu rural surgiu no meio do século XX, e tem as raizes nas tradições do interior de Pernambuco.

A personagem mais fantástica do maracatu rural é o caboclo de lança. Quasi todos os caboclos de lança são homens (algumas mulheres têm participado nos últimos anos). Eles dançam pulando e girando, agitando as lanças para afastar a multidão. As fanatasias podem pesar até 25 kilos e incluir uma enorme cabeleira de papel celofane cobrindo o chapéu-de-palha, óculos escuros, e um flor nas dentes. No interior de Pernambuco, muitos homens que saem como caboclos de lança trabalham nos campos durante o dia. É uma honra ser um caboclo de lança.

A tradição de maracatu quasi morreu no começou da decada de 1980, mas foi resgatado quando deixaram mulheres e crianças participar, e quando a policia começou de controlar a violencia asociada com os rivais maracatus (que robavam as fantasias de um e outro). Hoje, há maracatus nos Estados Unidos, Canada, Inglaterra, Sueca, e outros países, exatamente como capoeira, e assim como capoeira, há pessoas que preocupam que o maracatu pode perder sua história si os novos praticantes não aprendam a história e os segredos de maracatu.

Um lindo video que vc vai gostar:




Esse posto vem de vários artigos que eu achei sobre o maracatu. Se vc quiser adicionar algo sobre o maracatu, por favor, pode deixar nos comentários. Obrigada!

1.2.08

Carnaval 2008: o Brasil em festa!

Carnival já começou e o Brasil está em plena festa.

Aquí temos alguns notícias das três maiores festas no país. Claque no nome da cidade para maiores informações sobre a programação de cada cidade:


Rio de Janeiro
A escola de samba Unidos da Viradouro tem que refazer um dos seus carros alegoricos depois de um justiçia o vetou quando a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro reclamou. Com o enredo "É de arrepiar”, o carro seria uma represenatação do Holocausto (a atrocidade nazista contra os judeus) com uma montanha de cadáveres nus acompahado por um bailarino fantasiado como o ditador Adolf Hitler. A escola promete de substituir o carro com uma representação da “execução do direito de liberdade”.

Como sempre, terá o famoso desfile dos maiores escolas de samba dentro do Sambódromo, enquanto o resto da cidade celebrará com o carnaval da rua carioca.


Salvador
Por uma votação popular feito pelo internet, o tema do Carnaval 2008 de Salvador é capoeira, com Mestre João Pequeno e Mestre Decânio como os símbolos.

Tinha uma pequena polêmica em Salvador quando escolheram um Rei Momo magro!! Clarindo Silva, 58 kg, quebra a tradição do gordo Rei Momo (símbolo do excesso do Carnaval) que normalmente pesa 120 kg no minimó. Parece que no fim, Silva ficou com o titulo de Rei Momo 2008. Vê um poco da controvérsia aquí.

Esse ano, a Festa de Iemanjá cai no sábado do Carnaval.


Recife / Olinda
Segundo O Livro Guinness dos Recordes, o bloco pernambucano Galo da Madrugada é o maior bloco carnavelesco no mundo. Em 2006, sairam mais de 1.5 milhão de pessoas- um número maior do que a população de Recife. No sábado, o bloco desfilará pelas ruas de Recife com mais de um milhão foliões, 28 trio eléctricos, e o tradicional galo.

Divertam-se, tenham cuidado, e guardem seu dinheiro!

17.1.08

Hoje na Bahia: A Lavagem do Bonfim

Hoje em Salvador, Bahia, celebram a Lavagem das Escadarias da Igreja do Bonfim, A festa é um dos maiores que mistura a religão católica com o candomblé. Nosso Senhor do Bonfim correspomde com o orixá Oxalá, o pai de todos os orixás. O cor de Oxalá é branco, então todo o mundo se veste de branco.

Depois de uma missa bem cedo de manhã, uma procissão de algumas 200 baianas, vestidas em roupa típica e carregando jarros de água de cheiro e flores, sai da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia que fica na Avenida Contorno que liga a Cidade Baixa á Cidade Alta de Salvador.

Elas seguem a pé pela Cidade Baixa, andando alguns dez quilômetros em baixo do sol quente até o Largo do Bonfim. No caminho, há barracas vendendo comidas típicas e bebidas para refrescar o multidão de moradores de Salvador, artistas, políticos, batucados, capoeiristas, turistas, jornalistas, e outros que seguem o cortejo em plena festa.

Ao chegar a Igreja do Bonfim, as baianas chegam na Igreja do Bonfim e lavam as escadarias com a água e vassouras enquanto cantam louvores ao Nosso Senhor do Bonfim e Oxalá. Quando termina a parte religiosa, a festa continua no Largo do Bonfim.

Se tiver sorte de estar em Salvador hoje, diverte-se! Se não, tem a Lavagem de 2009…

11.9.07

Crie seu próprio arquivo: As Sete Portas da Bahia

Quer criar um arquivo para seu grupo? As Sete Portas da Bahia, com texto e desenhos por o famoso Carybé, é um livro que um bom arquivo da Capoeira Angola não deve faltar.

Carybé nasceu na Argentina, e começou de desenhar aos 10 anos da idade. Estudou belas artes no Rio de Janeiro, e aos 27 anos, visitou Bahia pela primeira vez. Aos 49 anos, se mudou para Bahia, e trabalhou desenhando a vida cotidiana dos baianos.

Em As Sete Portas da Bahia, Carybé descreve vários aspetos da cultura baiana, inclusive a capoeira, o Largo do Pelourinho, a Festa de Yemanjá, o candomblé, e mais. Aqui ele fala um pouquinho sobre os pescadores e as canções que cantam enquanto puxando rede.
A areia é alva; eles escuros. À luz intense da manhã sobe um cântico... centenas de vozes respondem.

Os pés se fincam na areia, ritmando. Quando a sucção aumenta o peso da rede, cedem um passo e curvam mais os lombos musculosos:

A baleia me pediu
Aderecô Aninha
Pra fazê uma devoção
Aderecô Aninha
Vou pegá na jangadinha
Aderecô Aninha
Vou me embora velejá
Aderecô Aninha
O vento pegou de proa
Aderecô Aninha
Até da volta do má
Aderecô Aninha
Vou me embora que é noite
Aderecô Aninha
Eu não quero navegá
Aderecô Aninha
Fazê dos óio candeia
Aderecô Aninha
Até hora de vortá…
Reconhece essa linda música? É um dos corridos que Mestre Moraes canta no CD do Grupo Capoeira Angola Pelounriho, “GCAP Tem Dende”!

Para um capoeira, As Sete Portas da Bahia é super interessante porque, como no exemplo, achará aspetos da capoeira em outros partes da cultura baiana.

1.7.07

Independência da Bahia!

No 2 de julho de 1823, o exército brasileiro empurrou os portugueses for a da Bahia para segurar a independência do país. Bahia foi o último estado brasileiro de tirar os portugûeses do Brasil.

Hoje, os baianos comemoram Dois de Julho como o Dia da Independência da Bahia, e se vc tiver a sorte de estar em Salvador hoje, vai ter uma roda com a presença dos grupos FICA-Bahia, N’Zinga, ACANNE, Zimba, e mais! Divertam-se!

13.5.07

13 de maio: Dia da falsa abolição

Nesse data em 1888, Princessa Isabela do Brasil, enquanto seu pai Dom Pedro II estava viajando na Europa, assinou A Lei Áurea que extinguiu de vez a escravidão. O Brasil era o último país nas Américas de abolir a escravidão.

A campanha abolicionista, liderado pelo advogado Joaquim Nabuco, com pressão da Inglaterra (cujo queria criar um mercado mais competetivo para a agricultra das suas colônias), e o declínio do lucro do sistema da escravidão relacionado com a imigração de europeos pobres, criou um ambiente para a Lei Áurea.

Antes da Lei Áurea, foram alforridos os escravos com mais de 65 anos de idade em 1885 com a Lei do Rio Branco, embora que poucos escravos chegassem a essa idade. Em 1871, a Lei do Ventre Livre "liberou" os filhos nascidos das escravas, só que tinham que servir os senhores das suas mães até completavam vinte e um anos. O tráfico negreiro foi abolido em 1850.

Hoje em dia, muitos brasileiros consideram o dia 13 de maio como o "Dia da Falsa Abolição" porque a Lei Áurea não promovia a cidadania nem melhorava a vida dos escravos, com educação ou uma recompensa de terra ou dinheiro.

Assim, uma princessa benevolente não deu a liberdade aos negros no Brasil. Os negros lutaram, e continuam lutando, para liberdade política, social, e econômica num país controllado, em grande parte, por uma elite branca.

15.2.07

Carnaval 2007!

Chegou a hora! Enquanto no norte do mundo estamos sufrindo com um dos piores tempestades de neve e gelo, o Brasil está se esquentando para curtir a maior festa no mundo!

Cada cidade no Brasil tem suas tradições distintas do Carnaval. No Rio, fazem um espectáculo sem par com destaques e fantasias estranhas no Sambadromo, os Bailes de Máscaras, e os desfiles pelos bairros e praias. Em Salvador, tem os trio-eléctricos, os poderosos blocos-afros e do afoxé, e uma pipoca super-animada. Em Olinda, tem um carnaval mais tradicional com o encontro de bonecos gigantes, os maracutus, e muito frevo com aquellas sombrinhas coloridas.

No Sambadromo, Rio de Janeiro se vira outra planeta.


O mais estranho, o melhor.


Nas ruas de Salvador, tudo de branco, os famosos Filhos de Gandhy.


O mais belo dos belos, Ile Aye.


Um trio-eléctrico com Ivete Sangalo.


O Encontro de bonecos nas ruas de Olinda.


E os maracatus.


Divertam-se!!!!!!